• Mariana Floria

Uma carta aberta para a ansiedade: por que sentimos tanto medo de errar?

Querida ansiedade,


Hoje estou aqui para ter uma conversa sincera contigo!


Você que faz parte de muitos momentos da minha vida, aparece muitas vezes sem avisar, senta e faz presença constante... a verdade é que tenho procurado entender seus motivos, o que tem te trazido para perto de mim.


Às vezes parece que não tem hora específica do dia para você aparecer.


Minha terapeuta já me explicou que, na verdade, você não aparece “do nada”. Essa sensação é pelo fato de ser por vezes difícil identificar o gatilho que te chama.


Já descobri que às vezes você vem fantasiada de uma sensação de culpa, outras de fracasso... Mas, na realidade, o que mais me assusta é o medo gigantesco de errar!


Se vou viajar, preciso fazer mil listas para garantir que não esqueça nada; se vou fazer uma avaliação, estudo o suficiente para ter certeza que sei de tudo o que pode ser questionado; se pessoas me relatam opiniões diferentes daquelas que julgo ter, começo a questionar minhas próprias convicções...


É tão difícil lidar com tudo isso!


Muitas vezes parece que vivo em alerta, preciso cuidar de tudo, não deixar nenhuma peteca cair...


Minha terapeuta também me explicou que isso é minha necessidade de controle "atacando". Que o medo de errar é tão grande, que preciso me certificar que esteja cuidando de tudo da melhor maneira.


Mas é tão difícil não agir assim... Parece que se eu ceder um pouco, deixar uma aresta sem cuidar, as coisas podem desmoronar.


E sabe de uma coisa? Venho descobrindo que isso é ilusão!


É fruto de uma educação baseada no senso de que existe apenas uma forma correta de fazer as coisas, de que erros devem ser evitados a todo custo – uma busca constante pela perfeição!


Mas o que é considerado um erro aos olhos de um pode ser apenas uma forma alternativa de fazer algo.


É apenas diferente – e está tudo bem!


Hoje eu escolho ser gentil comigo e entender que sua presença aqui é resultado de uma escolha diferente que fiz. É normal me sentir assustada com o novo, com receio de ter feito uma escolha que ainda não conheço ao certo as implicações...


Ansiedade? Ansiedade? Cadê você?

Aonde você vai?


Ahhhh, verdade, minha terapeuta avisou mesmo que você poderia se assustar com esse novo meu novo jeito de agir...


*Relato baseado em uma situação fictícia.



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