• Mariana Floria

Comparação nas redes sociais: um guia para lidar com isso


Vou confessar, eu já fiz muita comparação nas redes sociais... Inclusive já me senti mal vendo posts e stories no Instagram! E a verdade é que vira e mexe essa sensação volta e bate outra vez.

Eu estava notando o quanto nesse mês de janeiro essa sensação de angústia está muito ligada com o senso de produtividade das outras pessoas. Isso porque na minha timeline estava vendo todo mundo se organizando, publicando as metas de Ano Novo. Mas já tiveram momentos, principalmente no fim de ano, que vi pessoas ainda no pique total de produção, enquanto eu estava no “modo sobrevivência” (fazendo o suficiente para conseguir chegar ao fim). Talvez até você já tenha até se sentido assim vendo publicações minhas por lá, vai saber...


E sabe por que possivelmente isso acontece? Porque somos seres sociais e buscamos, de certa forma, nos encaixar no grupo. É por isso que a comparação aparece como uma estratégia de sobrevivência: avaliar como o outro está se comportando pode lhe dar respostas e caminhos de como você pode se adequar e não se distanciar do que é comum para o grupo, evitando, assim certa rejeição.


O porém é que vivemos numa era em que fazemos comparações da nossa vida com milhares de outras pessoas pelo feed de uma rede social. Então, aí você entende como uma estratégia de sobrevivência como essa se torna extremamente perigosa... São mil outras maneiras de viver e você tende sempre a pensar que você está inadequado.


O que fazer com essa comparação?


Você vai me ver sempre batendo nessa tecla, igual um mantra: não existe certo e nem errado, cada um tem a sua trajetória.



Essas trajetórias são diferentes por N razões, o que implicam em diferentes formas de viver. Começa com a gente repetindo essa regrinha e, aos poucos, estimulando nosso foco às nossas próprias necessidades pessoais.


Por isso, eu preparei um guia para que você possa começar a se conhecer melhor e entender as suas próprias necessidades e prioridades. A ideia é que quanto mais você se conhecer, melhor estará preparada para lidar com as diferenças que encarar em seu mundo. Além disso, esse guia pode lhe auxiliar a estruturar as suas metas para o Ano Novo, focando no que é importante para você e te ajudando a se blindar com essas sensações ruins de comparação.


Então vamos lá:


1) Escreva em um papel as diferentes áreas da sua vida:

  1. Relacionamentos: divida entre amorosos e familiares;

  2. Trabalho e/ou estudos;

  3. Saúde;

  4. Crescimento pessoal: atividades que fazem sentido para o estilo de vida que você quer ter, como, por exemplo, leituras, realização de um curso, sua espiritualidade;

  5. Lazer: atividades para descansar e recuperar as energias.


2) Para cada área elencada, anote o seu "Eu Ideal"


Para cada área acima elencada, se questione: "Se eu fosse meu 'eu ideal', como gostaria de me comportar?".


A ideia é que aprofunde a reflexão de forma a tentar entender quais coisas são importantes para você. Tente elencar tanto valores de vida (como honestidade, parceria, conhecimento) como também comportamentos – são as ações que você gostaria de desempenhar.


Para ficar mais compreensível, vou lhe dar um exemplo:

“Se eu fosse meu ‘Eu ideal’ em meu relacionamento amoroso, gostaria de ser uma pessoa carinhosa, honesta, parceira. Mas que também tenha autonomia e independência para fazer coisas que são importantes para mim. Por isso, acredito que para ir nessa direção, o que devo fazer é: estar mais presente com meu parceiro(a), conversar sobre seu dia-a-dia e o que ele tem sentido, passado; propor atividades que sejam importantes tanto para mim, mas também para ele; conversar e propor momentos da semana que possa fazer coisas sozinha ou com meus amigos(as).”


Perceba que a imagem do seu “Eu ideal” poderá lhe proporcionar maior clareza para definir os comportamentos e ações necessárias para estar mais perto da realidade que você gostaria de viver.


3) Avalie o seu “Eu ideal” ao seu “Eu real”


A ideia agora é que você comece a compreender o quanto suas ações presentes estão ou não em consonância com seus valores, o seu “Eu ideal”. Isso poderá lhe trazer maior clareza sobre os passos a serem dados na direção que pretende estar.


Então, para cada área da sua vida elencada lá no primeiro item, reflita e anote as respostas das seguintes perguntas:

  1. Como você tem lidado/agido nesse cenário hoje?

  2. Quais dessas ações/comportamentos têm te aproximado do seu “Eu ideal”?

  3. Quais ações/comportamentos têm te distanciado de seu “Eu ideal”?

  4. Então quais mudanças você pode se propor para se aproximar mais do seu "Eu-ideal"?


4) Seja realista!


A ideia de elencar tudo isso não é para que você coloque como meta dar conta de todas as áreas da sua vida. Entenda que você não precisa dar conta de tudo. Aliás, isso é humanamente impossível!


Ter a noção de que a vida é um processo e que terão momentos que você conseguirá se dedicar a uma área da sua vida mais do que a outras é extremamente importante. Isso não quer dizer que você esteja aquém dos seus objetivos ou que é “falta de força de vontade”, apenas é a realidade: temos limitações e não conseguimos dar conta de tudo.


E tenha convicção disso: não queremos que fique ansiosa, não é?


Foque na sua capacidade atual: qual o pequeno passo que você consegue dar hoje em direção aos seus objetivos?


5) *ITEM BÔNUS


Observe e anote suas evoluções, tropeços, reflexões ao longo da jornada. Se puder, tenha um caderno em que possa escrever anotações sobre si mesma. Como um diário, mas sem a necessidade de descrever sobre seus dias minuciosamente.


A ideia é proporcionar uma maneira saudável de pensar sobre suas próprias ações, gerando um belo crescimento pessoal. Além disso, é uma interessante ferramenta que poderá estimular a sua autoconfiança, uma vez que te ajuda a perceber suas capacidades e conquistas.


Ah, e de quebra já te trará boas reflexões para o planejamento do ano!


Perceba, o segredo está em, ao invés de olhar para fora, olhar cada dia mais para dentro.


A estratégia é conhecer e entender a sua trajetória, qual é o caminho que você, diante da sua história, pode trilhar. Essa será a sua carta de alforria da escravidão da comparação nas redes sociais e também para a construção de uma autoestima cada dia mais saudável!

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